Bem, pessoas, já que uma colega da Universidade me interrogou sobre o vocativo, lá vamos nós.
De forma bem simples, querido leitor, o vocativo é o chamamento. Quando você se dirige a alguém é um vocativo.
Por exemplo:
No parágrafo acima utilizei dois vocativos: pessoas e querido leitor.
Observe que o vocativo sempre vem entre vírgulas, seja no início, no meio ou no final da frase.
Tenho observado que seu uso, principalmente em situações informais como o email e o twitter, está desaparecendo.
Gramaticalmente, seria:
Bem-vindo, fulano.
Bom dia, pessoa.
Então, caros alunos, vamos...
Certo, gente?
Postado originalmente em http://blogdachrisletras.blogspot.com/
domingo, 13 de março de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Vamos concordar que...
Saí à caça de erros e nem precisei ir muito longe. Na minha TL mesmo esbarrei com um post que falava de um site que possibilita a leitura de DM’s de quem quer que seja. E li a pérola:
“Alguem ai ja invadiam minha privacidade e leu…”.
Bem, vou fingir que não vi que as palavras “alguém”, “aí” e “já” estão sem acento, até porque há certos teclados cuja configuração de acentos leva seus usuários à loucura, né?
Mas o caso aqui é a bagunça que foi feita com a concordância.
Vamos lá!
“Alguém” é um pronome indefinido que SEMPRE está no singular. Portanto, o verbo que o acompanha tem que estar, também, no singular.
“Invadiam” é a forma correta para a 3ª. pessoa do plural, no pretérito imperfeito, do verbo invadir.
Você nem precisa saber desses detalhes, basta perceber que, se um é singular e o outro plural, não concordam.
Daí, o correto seria, é claro: “Alguém aí já invadiu minha privacidade e leu…”.
Ainda assim, acho que o que mais me preocupa nesse caso é a inviolabilidade de minhas DM’s. Vou lá deletá-las.
(Publicado tb no http://hospitaldotexto.tumblr.com/)
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Língua escrita x língua falada
Acredito já ter comentado aqui o fato de que escreve-se diferente do que se fala. E isso não é atestado empiricamente por mim. Marcos Bagno, Mário Perini, Ataliba Castilho falam disso.
Temos, principalmente no Brasil, uma separação gritante entre a língua que se escreve e a língua que se fala. Suponho eu que essa diferença seja pela falta de escolarização de qualidade da população, mas isso não vem ao caso agora.
Existem estudos, principalmente a Gramática do Português Falado organizada por Castilho, que mostra como funciona a língua falada, que suas diferenças em relação à língua escrita não são um erro (afinal, milhões de pessoas falam assim).
Concordo com tudo isso, espero que a gramática normativa adeque-se ao a gente, as menina, tu vai ir.
No entanto, ao ler o jornal online esta manhã, vi algo que me chocou. Não sei se foi um súbito puritanismo ou o indício de uma revolução.
No http://www.clicrbs.com.br/rs/ li a manchete de uma matéria e estava escrito Capital
DMLU atribui ao feriado de Natal os atraso na coleta do lixo e pensei em algumas possibilidades: estão adaptando-se à gramática do português falado? - dificilmente. Erro de digitação (contribuição via facebook)? - possível, mas o redator tem a obrigação de revisar o próprio texto, já que até onde eu sei não há um revisor geral. Deslize do redator ao transpor sua língua falada para a língua escrita em um jornal online de grande acesso? - plausível.
Isso me leva a pensar nas mudanças (positivas a meu ver) que podem estar ocorrendo. Aceitar a mudança no paradigma verbal e na concordância de número que ocorre na língua falada faz com que a população sinta-se sabendo a língua portuguesa, algo que lhes foi negado por séculos.
Isso traz mudanças políticas e sociais benéficas aos excluidos e marginalizados.
Pode ser uma utopia, mas o deslize desse redator sucita uma discussão profunda no ensino do país.
Temos, principalmente no Brasil, uma separação gritante entre a língua que se escreve e a língua que se fala. Suponho eu que essa diferença seja pela falta de escolarização de qualidade da população, mas isso não vem ao caso agora.
Existem estudos, principalmente a Gramática do Português Falado organizada por Castilho, que mostra como funciona a língua falada, que suas diferenças em relação à língua escrita não são um erro (afinal, milhões de pessoas falam assim).
Concordo com tudo isso, espero que a gramática normativa adeque-se ao a gente, as menina, tu vai ir.
No entanto, ao ler o jornal online esta manhã, vi algo que me chocou. Não sei se foi um súbito puritanismo ou o indício de uma revolução.
No http://www.clicrbs.com.br/rs/ li a manchete de uma matéria e estava escrito Capital
DMLU atribui ao feriado de Natal os atraso na coleta do lixo e pensei em algumas possibilidades: estão adaptando-se à gramática do português falado? - dificilmente. Erro de digitação (contribuição via facebook)? - possível, mas o redator tem a obrigação de revisar o próprio texto, já que até onde eu sei não há um revisor geral. Deslize do redator ao transpor sua língua falada para a língua escrita em um jornal online de grande acesso? - plausível.
Isso me leva a pensar nas mudanças (positivas a meu ver) que podem estar ocorrendo. Aceitar a mudança no paradigma verbal e na concordância de número que ocorre na língua falada faz com que a população sinta-se sabendo a língua portuguesa, algo que lhes foi negado por séculos.
Isso traz mudanças políticas e sociais benéficas aos excluidos e marginalizados.
Pode ser uma utopia, mas o deslize desse redator sucita uma discussão profunda no ensino do país.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Prosódia
Estava em Fórtalêza (é como pronunciam lá) e notei que além do ritmo de vida ser mais devagar por ser uma cidade litorânea, de clima ameno, sempre com uma brisa agradável, a fala dos habitantes também tem uma vagareza peculiar.
Observando e pensando com meus botões, criei a hipótese de que o fato de colocarem duas sílabas tônicas em uma mesma palavra deve-se à velocidade da fala. Como as sílabas são mais compridas (não cumpridas) é necessário mais sílabas tônicas. Isso porque na Nossa Língua Portuguesa as palavras tem a tonicidade na última, penúltima ou antepenúltima sílaba - do fim para o começo - e não temos, como há no espanhol, palavras com acento tônico na quarta sílaba. Por isso, como os nordestinos falam devagar, dividem a palavra em duas na cadeia da fala. Ficando assim Fórtalêza, sémâna e por aí vai.
Dá uma préguiiiiça.
Observando e pensando com meus botões, criei a hipótese de que o fato de colocarem duas sílabas tônicas em uma mesma palavra deve-se à velocidade da fala. Como as sílabas são mais compridas (não cumpridas) é necessário mais sílabas tônicas. Isso porque na Nossa Língua Portuguesa as palavras tem a tonicidade na última, penúltima ou antepenúltima sílaba - do fim para o começo - e não temos, como há no espanhol, palavras com acento tônico na quarta sílaba. Por isso, como os nordestinos falam devagar, dividem a palavra em duas na cadeia da fala. Ficando assim Fórtalêza, sémâna e por aí vai.
Dá uma préguiiiiça.
sábado, 4 de setembro de 2010
Errado?
Na internet surgiu uma nova forma de escrever: seja por abreviatura (ver post anterior),
seja com neologismos (palavras inventadas) ou por gírias.
Essa nova forma de escrita vem sendo chamada de Internetês. E há variações,
como em toda linguagem verbal: há o miguxês (coisa que não entendo), por exemplo. Linguagem que representa um grupo.
No Twitter há algumas formas que chamam a atenção. E são feitas para isso mesmo.
Há o LEIÃO, CORRÃO, por exemplo. Quem escreve sabe que a forma é leiam e corram,
mas escreve assim para chamar a atenção do leitor. Não é, portanto, dentro do
contexto da internet, um erro. É uma questão de estilística.
Portanto, escreva à vontade, comunique-se, mas de uma forma que seu
leitor entenda.
seja com neologismos (palavras inventadas) ou por gírias.
Essa nova forma de escrita vem sendo chamada de Internetês. E há variações,
como em toda linguagem verbal: há o miguxês (coisa que não entendo), por exemplo. Linguagem que representa um grupo.
No Twitter há algumas formas que chamam a atenção. E são feitas para isso mesmo.
Há o LEIÃO, CORRÃO, por exemplo. Quem escreve sabe que a forma é leiam e corram,
mas escreve assim para chamar a atenção do leitor. Não é, portanto, dentro do
contexto da internet, um erro. É uma questão de estilística.
Portanto, escreva à vontade, comunique-se, mas de uma forma que seu
leitor entenda.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Em terra de Twitter quem abrevia é rei!
A velocidade com que o mundo gira hoje, aliada à praticidade, dá o tom da comunicação na internet. Com o crescimento do Twitter, onde cada post – ou tweet – tem um limite máximo de 140 caracteres, vemos – quase – o nascer de um novo idioma, pois passa a ser extremamente necessário usar abreviações.
E o povo é criativo, viu?!
É um tal de pq ("por que" nas suas diferentes formas), tb (também), vc (você) e muitas outras.
Eu, particularmente, adoro isso! Acho super prático. Porém, ressalto que só é aceitável na comunicação informal. Não vamos sair abreviando tudo por aí, não, ok?
Os mais comuns são: qq = qualquer, msm = mesmo, bj = beijo, mt = muito, q = que, tto = tanto, gde = grande, n = não, hj = hoje...
Muito comum e engraçado, pelas suas variações, são as soluções que são dadas para expressar risadas. É um tal de: kkkkkkk, rsssss, ashuashuas, hahaha, hehehe, rsrsrsrsrs e por aí vai...
Porém, o que mais me diverte são as palavras inventadas como: azamigas, môgezuis, oke, ômi... Mas nenhuma, nenhuma mesmo, é mais criativa do que "bagarai". Chega a tornar o termo tão chulo, tão feio, em algo elegante... Eu adoro!
E você, como ri na internet? Quais as palavras inventadas que te divertem? Quais as abreviações que você mais usa?
Compartilhe conosco!
E o povo é criativo, viu?!
É um tal de pq ("por que" nas suas diferentes formas), tb (também), vc (você) e muitas outras.
Eu, particularmente, adoro isso! Acho super prático. Porém, ressalto que só é aceitável na comunicação informal. Não vamos sair abreviando tudo por aí, não, ok?
Os mais comuns são: qq = qualquer, msm = mesmo, bj = beijo, mt = muito, q = que, tto = tanto, gde = grande, n = não, hj = hoje...
Muito comum e engraçado, pelas suas variações, são as soluções que são dadas para expressar risadas. É um tal de: kkkkkkk, rsssss, ashuashuas, hahaha, hehehe, rsrsrsrsrs e por aí vai...
Porém, o que mais me diverte são as palavras inventadas como: azamigas, môgezuis, oke, ômi... Mas nenhuma, nenhuma mesmo, é mais criativa do que "bagarai". Chega a tornar o termo tão chulo, tão feio, em algo elegante... Eu adoro!
E você, como ri na internet? Quais as palavras inventadas que te divertem? Quais as abreviações que você mais usa?
Compartilhe conosco!
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Hidratando a palavra
Todos riem quando encontram alguns assassinatos de nossa língua pátria. Eu também, é claro!
Mas sempre fico me perguntando o que leva uma pessoa a cometer o tal erro. E eu não estou falando de erros de digitação ou pequenos enganos que qualquer um comete na correria de sempre. Estou me referindo a coisas desse tipo:
“também é ótima pra idratar (...)
creme idratante (...)”
Isso está num post de um determinado blog, assinado por uma estudante universitária.
O acesso ao ensino superior só é permitido a quem já concluiu o Ensino Médio. Pressupõe-se que tenha estudado, no mínimo, 12 anos de Português.
E se eu disser para vocês que a pessoa em questão é estudante de Estética e vendedora de produtos de beleza, portanto, acostumadíssima a ler a palavra HIDRATANTE ou HIDRATAR???
Não vou nem começar a falar sobre o quanto é falho o sistema educacional brasileiro. Todos sabem...
Uma coisa são as abreviaturas da internet, outra é a falta ou troca de letras por má alfabetização. Não há sentido nenhum em escrever "idratar". Que, aliás, escreve-se com "h" porque vem do grego: húdór, húdatos 'água' (Dicionário Houaiss).
Sendo assim, avisamos: não comprem, nunca, um creme IDRATANTE, não deixem chegar perto de sua pele nada que prometa IDRATAR, ok?
Traduzindo a Rede também é um serviço de utilidade pública...
Mas sempre fico me perguntando o que leva uma pessoa a cometer o tal erro. E eu não estou falando de erros de digitação ou pequenos enganos que qualquer um comete na correria de sempre. Estou me referindo a coisas desse tipo:
“também é ótima pra idratar (...)
creme idratante (...)”
Isso está num post de um determinado blog, assinado por uma estudante universitária.
O acesso ao ensino superior só é permitido a quem já concluiu o Ensino Médio. Pressupõe-se que tenha estudado, no mínimo, 12 anos de Português.
E se eu disser para vocês que a pessoa em questão é estudante de Estética e vendedora de produtos de beleza, portanto, acostumadíssima a ler a palavra HIDRATANTE ou HIDRATAR???
Não vou nem começar a falar sobre o quanto é falho o sistema educacional brasileiro. Todos sabem...
Uma coisa são as abreviaturas da internet, outra é a falta ou troca de letras por má alfabetização. Não há sentido nenhum em escrever "idratar". Que, aliás, escreve-se com "h" porque vem do grego: húdór, húdatos 'água' (Dicionário Houaiss).
Sendo assim, avisamos: não comprem, nunca, um creme IDRATANTE, não deixem chegar perto de sua pele nada que prometa IDRATAR, ok?
Traduzindo a Rede também é um serviço de utilidade pública...
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